sexta-feira, 3 de julho de 2015

O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald


9º livro lido em 2015
terminei de ler em 03/07/2015

Fazia alguma ideia de que esse livro, principal obra de F. Scott Fitzgerald, era muito bom, mas não sabia que era simplesmente sensacional. Vi o remake do filme com o Leonardo Dicaprio, gostei muito, mas ao ler o livro, é notório ter que usar daquele chavão, de que o livro é mil vezes melhor que o filme e blá blá blá... está foi a impressão nítida que tive, não tem como escapar.

Adquiri esse exemplar em um sebo no centro de SP. É a 1ª edição, de 1975, da então editora Abril Cultural. Gosto dessas edições antigas, por creditar confiança nessas traduções, mesmo com palavras pouco usadas hoje em dia, o leitura flui de forma excelente, pelo menos no caso dessa edição de Gatsby que tenho.
O texto é altamente envolvente, do tipo que quando você menos percebe, já devorou 100 páginas, querendo devorar as próximas 100, mas ai praticamente já acabaria o livro, pois ele tem umas 225 páginas.

O livro é de 1925, ou seja foi escrito no período que antecede o grande marco histórico, a quebra da bolsa de NY em 1929. O que é mais sensacional em O Grande Gatsby, é a forma como a história é contada, o ponto de vista que Scott F. aborda, faz com toda certeza o imenso diferencial na obra. A historia de Gatsby é contada pelo narrador do livro, Nick Carraway, que acaba de se mudar para uma casa simples, e vira vizinho do misterioso  Jay Gatsby. 
Gatsby é famoso por dar grandes festas em que muitas pessoas "importantes" da alta sociedade são convidadas, então é relatada toda a exacerbação da futilidade, muito champanhe, carros de luxo, nas festas homéricas na mansão de Gatsby. Mas o que torna Gatsby uma figura misteriosa é que ele próprio não participa muito das próprias festas.

O pano de fundo da história, é que Gatsby tenta resgatar o romance de anos antes que viveu com Daisy, prima de Nick, porém ela agora é casada com um milionário, Tom Buchanan. Romance que era praticamente inviável pois Gatsby era pobre e Daisy era de família rica. Gatsby passado alguns anos, enriquece - o que é um mistério no livro - e compra uma mansão do outro lado de um lago, de frente para casa de Daisy Buchanan. E as grandes festas que Gatsby dá, é pra simplesmente fazer com que Daisy ouça falar dele. 
Como essa historia é contada se torna interessante aqui, pois é através de Nick, que Gatsby quer se aproximar de Daisy. Porém nasce uma forte amizade entre os dois, Gatsby e Nick. E Nick ajuda Gatsby nessa aproximação, mesmo ainda tendo muitas dúvidas quanto ao novo amigo. Mas num determinado momento da historia Gatsby acaba contando a Nick a origem de sua fortuna e sua real intenção na vida. 
A historia de Gatsby sendo contada pelo ponto de vista de Nick, que é um sujeito bastante moralista, já identificado nas primeiras páginas do livro, é o que realmente engrandece o personagem de Gatsby. Pois Gatsby vive por querer ter a vida não teve com Daisy, vive pelo sonho do amor que lhe escapou anos antes, e usa sua nova posição social e seus bens para chamar a atenção, e demonstrar que agora pode dar uma vida compatível para sua amada. É reflexivo esses valores que Scott Fitzgerald põe no livro. Daisy ao contrario de ser uma mocinha perfeita, é um ser fútil e deslumbrada, assim como o marido que escolheu, e Gatsby tenta e morre, por essa mulher. E que não comparece ao funeral e nem manda noticias, aliás em seu funeral, Gatsby conta somente com a presença do pai, alguns empregados e de Nick, o fiel amigo. 

Por fim acontecem muitas coisas, muito bem boladas pelo escritor, que desponta para o desfecho triste de Gatsby. O último capitulo é o que engrandece ainda mais o livro, pois o final é de dar um nó na garganta e no cérebro, daqueles de se ficar entravado por uma história tão triste e tão bem contada. Não caberia aqui, e eu nem ousaria tentar transmitir o que o final desse livro promete,  e o que significou para mim, é simplesmente lindo.
É sobre a historia angustiante de um alguém que buscava viver o passado que se afastava, que se esvaia, como um punhado de areia entres os dedos de uma mão, vivendo  um presente verde repleto de esperança, tentando viver uma vida que não foi. 

Artur César
Art Post Scriptum
neste 03/07/2015


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